Autores

Cor Gamboa Marques
Cor Silva Vitória

Agradecimentos

Figuras e Factos
Figuras e Factos

Nesta área do site a que agora se dá início, procuraremos difundir imagens e descrever factos onde cada um dos que prestaram serviço na Guarda Fiscal e Brigada Fiscal, em todos os postos, possa reconhecer-se e recordar camaradas e acontecimentos em que participou ou de que teve fundado conhecimento.
Reservamos ainda este local para fazer referência a figuras que, por serem relevantes, mereçam que delas haja memória.



O Guarda Fiscal (2)

A noite é fria e a serra agreste.
Pelo trilho do luar
Ele passa.
Pelas rótas rotas do mar
Em noite de temporal
Ele está.
Do cimo da arriba
Junto aos ninhos do vento
Ele vela.
Das sombras feitas fantasmas,
Estevas feitas galeras,
Falésias de multidões,
O homem,
Grande ou pequeno,
Simples, pobre,
Guarda.

Quando, nas longas noites de frio,
Em mares de solidão,
Com o vento que anavalha as fragas

E apouca a cria e a fera,
Do saco do desconforto,
Tirar a côdea gelada
Da broa bem amargada,
Ensopada só de esperança,
Aguada da madrugada,
Espera.
Quando o vento virar,
Encontrará a paga
Das patrulhas sem esperança
Nas madrugadas do medo.
Insónias de demente
Com olhos marejados
Das trinta moedas de oiro
Com que o querem comprar.
Surgirá a esperança
No dia que recomeça.
Qual giesta que vergada
Continua alevantada.
E no tempo que nunca teve

Romperá a madrugada
No filho que gerou,
Livre, pelo seu suor,
Por caminhos de medo
Nunca irá passar.

Pela Pátria que é sua,
Pela Lei que assegura,
Fronteiras de vento norte,
Só,
Sem ninguém,
Aguenta.
Sofre e vive
Morre e renasce.
Espera e desespera
Dos faunos da miséria,
Abutres empoleirados
Nos escombros calcinados
Desta terra.

Poema da autoria do então Major de Cavalaria João Sena, publicado na Revista da Guarda Fiscal - 2.ª Série, n.º21 de Setembro de 1986.
 
O Guarda Fiscal
Imagem78.jpg

Guarda Fiscal 1885

Guarda Fiscal 1953

Durante mais de um século de vida da Instituição onde prestou serviço, o Guarda Fiscal foi a sua figura mais conhecida e representativa, aquela que foi o seu rosto, pela presença ao longo da fronteira terrestre e marítima de Portugal continental e insular, muitas vezes em postos fiscais isolados e em péssimas condições de alojamento, mal equipado para fazer face às ameaças e ao rigor do clima e não dispondo de qualquer meio de comunicação ou deslocação. Guarda Fiscal 1.jpg

Apesar disto, com as exceções que apenas confirmam a regra, procurou contribuir para o cumprimento da missão atribuída à Instituição que servia, complexa por ser de natureza tributária e económica e ainda vasta, por abranger áreas relacionadas com controlo de pessoas e bens nas fronteiras, com circulação de mercadorias e também com a segurança e defesa do território nacional.

Em 1985, por ocasião das Comemorações do Centenário da Instituição, foi prestada homenagem a esta figura ímpar ao ser inaugurado um Monumento em sua honra na Entrada Nobre do Comando Geral da Guarda Fiscal 

 

 
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